Data: Quinta-feira 09 Fevereiro 2012
Hora: 09:30pm

“O fenómeno da globalização – impactos nas comunidades locais”
“É verdade que em certa medida a “globalização” não é uma realidade nova. A interacção (económica, cultural, comercial) entre diferentes sociedades e civilizações tem vindo a ser uma realidade mais ou menos constante, acentuada sobretudo com a abertura das rotas marítimas (num processo talvez erradamente designado de “descobrimentos”) e posteriormente com a própria revolução industrial que acentuou a exploração de matéria primas e recursos provenientes geralmente das nações colonizadas. No entanto parece-me evidente de que esta “nova globalização” possui contornos únicos e sem precedentes em toda a história da humanidade. A capacidade de determinadas entidades tomarem decisões susceptíveis de afectar uma quantidade tão grande de pessoas em lugares tão diferentes e distantes do planeta é provavelmente uma realidade recente. Parece-me ainda evidente que estas decisões não estão, de uma forma geral, a beneficiar a esmagadora maioria dos seres vivos, humanos e não humanos, no nosso planeta. Na verdade talvez nunca tanto como hoje a destruição ecológica foi tão vertiginosa e o fosso entre ricos e pobres, tão acentuado. É motivo para desistirmos e deixarmos de ser optimistas? Talvez não … talvez seja só motivo para mudarmos radicalmente para outra forma de globalização.”
DINAMIZAÇÃO E FACILITAÇÃO DA TERTÚLIA:
|PEDRO JORGE PEREIRA| Tem vindo a estar ligado a diversos projectos e ONG´s na área da intervenção social e ambiental. Possui também uma considerável experiência na área da formação através da realização de diversas oficinas, cursos e acções de sensibilização variadas. Foi um dos fundadores do núcleo do Porto do Grupo de Acção e Intervenção Ambiental – GAIA, entre outras associações, sobretudo de cariz ambiental, em que tem vindo a estar envolvido.
Editou e publicou através do Programa Capital Futuro do Programa Juventude, o livro “Be the change you want to see”, com um forte carácter pedagógico, destinado à educação ambiental e sensibilização para a importância do voluntariado no mundo actual. Tem-se vindo a dedicar também, em particular, às áreas do Consumo Consciente, Economia Social e Desenvolvimento Local. Dinamiza ainda um projecto na área da Alimentação Vegetariana Natural, designado “Segredos da Horta”, e o projecto de visitas eco-sociais “Porto de Encontros”.
ORGANIZAÇÃO:
Instituto de Formação Humana e Social – IFHS
Projecto EduCACES – Educação para a Cidadania Ecológica e Social
Características e Impactos da Globalização Neo-Liberal nas Comunidades locais (Reflexão e diagnóstico da sociedade actual)
É um “lugar comum” ouvirmos dizer que o nosso mundo se tornou numa “aldeia global” … talvez seja mais difícil, no entanto, compreendermos ou reflectirmos sobre as diversas repercussões dessa mesma globalização na nossa realidade do dia-a-dia. Nunca como hoje os bens que consumimos vieram tanto e de locais tão distantes do nosso planeta. Mas que implicações concretas esse facto terá para cada um de nós?
Numa sociedade dita de consumo cerca de 20% da população dos países ditos “mais desenvolvidos” consome cerca de 80% dos recursos mundiais. Esse consumo, ou para se ser mais exacto, consumismo, tido como “normal” e até intrínseco no nosso modo de vida tem no entanto pesadas implicações ambientais e sociais. Para além, obviamente, desse pressuposto errado de poucos terem tanto e de muitos terem tão pouco.
A nível económico e social (instâncias que desde logo se encontram intimamente associadas, se é que existe qualquer separação sequer, aos aspectos ecológicos dos fenómenos) os impactos da dita mundialização da economia (outra forma talvez de designar um fenómeno com uma agenda ideológica bem marcada como é o neoliberalismo) estão longe de se traduzir em efeitos muito positivos para as comunidades locais.
A nível ecológico é desastrosa a forma como a nossa espécie tem vindo a levar à exaustão os mais diversos recursos naturais do planeta, provocando uma destruição sem ímpar dos habitats naturais da Terra. Para além disso, e paradoxalmente, uma grande parte dos bens produzidos (quase 90%) são produzidos para uma utilização efémera (uma única vez) sendo depois responsáveis pela produção de toneladas e toneladas de resíduos cujo tratamento implica também, ele próprio, uma elevada factura ecológica.
A nível cultural, tal como a nível da perda de biodiversidade, pode-se também constatar o desaparecimento de diversas culturas, povos, idiomas, tradições e costumes ancestrais. O típico “American Way of Life” tem-se disseminado a um ritmo verdadeiramente vertiginoso, assente numa impetuosa cultura de consumo, um pouco por todo o planeta.
Por outro lado, mesmo face a um panorama que de uma forma geral pode não parecer muito optimista, a realidade é que todos os fenómenos desencadeados trazem em si mesmo também um tremendo potencial criador.
Talvez o primeiro passo seja precisamente de reflectirmos, pensarmos e discutirmos a amplitude de fenómenos, repercussões e impactos do fenómeno da globalização na nossa sociedade e comunidades locais. Esse debate, reflexão e consciencialização está ainda em larga medida ausente daquilo que são ou deveria ser os temas fundamentais da discussão pública. Depois urge questionar: É esta globalização essencialmente positiva ou negativa para o progresso e desenvolvimento económico-social da humanidade? E se não, uma outra globalização é possível?
São talvez estes os motes que ficam aqui lançados para uma tertúlia que certamente irá, no mínimo, levar a colocar em causa e enriquecer algumas das visões que temos do mundo e da sociedade global da qual fazemos parte.
Características e Impactos da Globalização Neo-Liberal nas Comunidades locais (Reflexão e diagnóstico da sociedade actual)


